quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A bailarina viciada



Tem um demônio no telhado de casa e já faz três anos que esse filho da puta pula pula pula e ulula feito o amor drummondiano. Criatura infeliz do caralho! Criatura infeliz do caralho que me traz à memória uma amiga bailarina, a Clarice. Eu a conheci no museu de arte moderna por entre as pernas secas e as cabeças grandes dos retirantes portinarianos.

- essa fase do candinho é a mais interessante, eu disse a ela.
- grandes merda. eu prefiro Andy Warrol e cocaína.
- pois ótimo! vamos ao meu apê. lá tem vinho e pó de mármore.
- e teu pau sobe?
- nem que seja de elevador.

Cheiramos, cheiramos, cheiramos e lá pelas tantas, logo após ter se ajoelhado e pedido perdão a Santa Clara pela cocaína cheirada, a Clarice quis fazer um telefonema.

- claro! vá em frente!

É que antes de terminarmos a madrugada na cama, ela queria se certificar de que o marido estava bem.

- não, meu amor! enfie o dedo no rabo durante o banho! é mais prático e menos barulhento! um tiro pode acordar o bebê!

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