- alô
- oi
- eu vou te degolar e entregar sua cabeça aos macacos pregos que tem na casa do meu pai.
- se você aparecer na casa do teu pai ele te mata.
- só se for por consumo de álcool.
- eu fiz tua inscrição no curso do BOP.
- não prestamos para muita coisa, mas não prestar para a guerra é a melhor coisa para qual não prestamos.
- isso é uma grande verdade. nós só prestamos como mau exemplo. quando é que você vem aqui?
- estou pensando em fazer um filme poético. você entende de colocar som na película?
- entendo. não tem muito segredo.
- então vamos filmar.
- filmar o que, malandro?
- poesia.
- beleza!
- sabe cinema de imagem e som?! doidera! é isso. sem roteiro.
- doidera mesmo.
- poemas sujos no caos da metrópole: lixo, putas, bêbados, drogas, IML, tiroteios, tudo misturado com carros de luxo, helicópteros, capas de revistas... o som pode ser cash, stones, samba e catarros music.
- eu não tenho idéia de como se faça isso. nunca dirigi ou participei de curta algum. se for levado a sério, e sair da especulação, eu gostaria de participar...
- vamos fazer juntos, porque eu também não entendo de porra nenhuma e acho que duas pessoas que não entendem de porra nenhuma juntas, é bem melhor do que uma pessoa que não entende de porra nenhuma sozinha.
- perfeito.

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