quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Se beber, não dirija, apenas trepe


Eu estava mais é a fim de beber. Um calor do cão. Paletó e gravata. puta merda!

- Não, querida! Hoje eu dispenso o prato feito. Desce aí uma cerveja trincando e me dá um cigarro solto.
- Vai beber durante o expediente?!
- Não, querida! Beber é pros que têm educação. Eu vou é tomar.

Voltei ao escritório já no final do dia. A secretária, Dona Márcia, estava numa gostosura muito além da conta para os padrões da empresa.

- Mas o Senhor está embriagado!
- Mas a Senhora está uma delícia!

Ela nem se angustiou. Sorriu de canto e apareceu dez minutos depois na minha sala.

- Marcinha, meu amor, vamos tomar uns choppinhos daqui dez minutos?
- Nossa! Não estou te reconhecendo!
- Nem eu estou te reconhecendo...

Na hora da ave maria lá estávamos nós na Vila Madalena, bebendo, ouvindo um cretino tocar Djavan que nem o rabo da mãe Joana, e se chupando e se esfregando e se comendo com o coração bem longe.

- Não agüento mais! Vamos sair daqui!
Sabe aquela frase: se beber não dirija?! É verdade! Posso garantir! Só dá merda!

Não andei nem duas quadras e enfiei o carro na traseira de um Tempra que freou repentinamente. O desgraçado do dono do carro me chamou de filho da puta e eu decidi mostrar que realmente sou um maldito filho da puta. Acelerei e cai na estrada.
O cafajeste ainda me perseguiu por alguns minutos, mas foi furar dois sinais vermelhos perigosíssimos que ele entendeu o recado e me deixou em paz.

Valeu a pena perder o emprego e ter o carro arrebentado. A mulher era fantástica!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

9236-XXXX

- alô
- oi
- eu vou te degolar e entregar sua cabeça aos macacos pregos que tem na casa do meu pai.
- se você aparecer na casa do teu pai ele te mata.
- só se for por consumo de álcool.
- eu fiz tua inscrição no curso do BOP.
- não prestamos para muita coisa, mas não prestar para a guerra é a melhor coisa para qual não prestamos.
- isso é uma grande verdade. nós só prestamos como mau exemplo. quando é que você vem aqui?
- estou pensando em fazer um filme poético. você entende de colocar som na película?
- entendo. não tem muito segredo.
- então vamos filmar.
- filmar o que, malandro?
- poesia.
- beleza!
- sabe cinema de imagem e som?! doidera! é isso. sem roteiro.
- doidera mesmo.
- poemas sujos no caos da metrópole: lixo, putas, bêbados, drogas, IML, tiroteios, tudo misturado com carros de luxo, helicópteros, capas de revistas... o som pode ser cash, stones, samba e catarros music.
- eu não tenho idéia de como se faça isso. nunca dirigi ou participei de curta algum. se for levado a sério, e sair da especulação, eu gostaria de participar...
- vamos fazer juntos, porque eu também não entendo de porra nenhuma e acho que duas pessoas que não entendem de porra nenhuma juntas, é bem melhor do que uma pessoa que não entende de porra nenhuma sozinha.
- perfeito.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Paixão e Virose

Foi na rodoviária de São João Del Rei.
Estava sentadinha, de vestido verde, sandálias de couro e colares de madeira cucucharãna.

- mete por trás enquanto olho pela janela?
- claro. posso apagar meu baseado nas suas costas?
- pode.

Essa sim! Pensei.

Duramos até a última partida da copa.

Enquanto brasileiros comemoravam a conquista da taça, eu tossia, vomitava e cagava gambás urbanos. Fedemos nós e a casa dos pais dela.

- você volta? perguntou-me na rodoviária.
- você quer que eu volte?
- acho que não.

Não voltei...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A bailarina viciada



Tem um demônio no telhado de casa e já faz três anos que esse filho da puta pula pula pula e ulula feito o amor drummondiano. Criatura infeliz do caralho! Criatura infeliz do caralho que me traz à memória uma amiga bailarina, a Clarice. Eu a conheci no museu de arte moderna por entre as pernas secas e as cabeças grandes dos retirantes portinarianos.

- essa fase do candinho é a mais interessante, eu disse a ela.
- grandes merda. eu prefiro Andy Warrol e cocaína.
- pois ótimo! vamos ao meu apê. lá tem vinho e pó de mármore.
- e teu pau sobe?
- nem que seja de elevador.

Cheiramos, cheiramos, cheiramos e lá pelas tantas, logo após ter se ajoelhado e pedido perdão a Santa Clara pela cocaína cheirada, a Clarice quis fazer um telefonema.

- claro! vá em frente!

É que antes de terminarmos a madrugada na cama, ela queria se certificar de que o marido estava bem.

- não, meu amor! enfie o dedo no rabo durante o banho! é mais prático e menos barulhento! um tiro pode acordar o bebê!